A POLUIÇÃO DO AR PROVOCADA PELA DECOMPOSIÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

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Antes de reduzir o ritmo das postagens por causa do Carnaval estávamos falando da contribuição nociva que o transporte dos resíduos sólidos dá ao ar de uma grande cidade como São Paulo: são milhares de toneladas de gases tóxicos lançados na atmosfera local pela imensa frota de caminhões com motores a diesel usada no transporte. Enfatizamos no texto que, além de toda uma série de ganhos ambientais, a redução na produção de resíduos sólidos também contribui para a melhoria da qualidade do ar nas cidades. Vamos aprofundar um pouco mais este conceito.

O nosso popular lixo ou, mais especificamente, resíduos sólidos urbanos nada mais são do que um “ajuntamento” de porções inservíveis de tudo: plásticos, papéis, metais, vidros, restos de alimentos, materiais orgânicos de todo o tipo, produtos químicos, entulhos da construção civil, tecidos, madeiras, produtos quebrados e tudo mais. Essa “mistura de tudo” é acondicionada em embalagens pela população e colocada na porta das casas, prédios, comércios e indústrias para coleta e transporte até os locais de destino – aterros sanitários e lixões. Para os geradores dos resíduos sólidos o problema acaba aqui – na realidade, o problema só muda de endereço.

A matéria orgânica presente nos resíduos sólidos é a primeira a entrar em decomposição nos aterros ou lixões através da ação de bactérias aeróbias, que são seres vivos que respiram oxigênio retirado diretamente do ar. Quando as fontes de oxigênio se esgotam, a decomposição continua a ocorrer pela ação de bactérias anaeróbias que, ao contrário das aeróbias, retiram o oxigênio que necessitam para viver diretamente da matéria em decomposição, num processo conhecido como putrefação. Esse processo de decomposição passa a liberar gases e líquidos poluentes (chorume) no meio ambiente. Entre os gases liberados pela decomposição biológica destacam-se o metano, o dióxido de carbono e o sulfeto de hidrogênio, entre quantidades menores de outros gases.

De todos os gases liberados pela decomposição dos resíduos sólidos, o metano é o mais problemático. O metano é um dos gases responsáveis pelo chamado Efeito Estufa, fenômeno intensamente estudado nos últimos anos e apontado como um dos causadores do processo de aquecimento global – calcula-se que as emissões do gás metano correspondam a 25% do total de gases causadores do aquecimento terrestre e seu potencial poluidor é 21 vezes maior do que o dióxido de carbono. Altas concentrações de gás metano também têm alto potencial para provocar incêndios e explosões.

Nos primeiros meses após o descarte dos resíduos sólidos nos aterros ou lixões, a emissão de gás metano representa aproximadamente 40% das emissões totais de gases – essas emissões têm um crescimento contínuo e, após aproximadamente dois anos, elas se estabilizam entre 60% e 65% do total de gases emitidos no local. Dependendo do volume de resíduos descartados no local, essas emissões de gases se estenderão por dezenas de anos. Para que todos entendam o tamanho do problema, vamos citar o Aterro Bandeirantes na Zona Oeste da cidade de São Paulo: este aterro recebeu 35 mil toneladas de resíduos sólidos ao longo de 28 anos e está desativado desde 2007 – o local continua emitindo 3.600 m³ de gás metano diariamente que, felizmente, é captado por um sistema de tubulações e queimado em uma usina geradora de eletricidade (vamos falar disto no próximo post). A empresa que administra o aterro calcula que as emissões de gases devem continuar a acontecer pelos próximos 30 ou 40 anos. Em locais onde não há esse aproveitamento do gás recomenda-se a instalação de tubulações de captação e de torres para a queima do metano.

Além da emissão desses gases tóxicos resultantes do processo de decomposição da matéria orgânica e dos seus efeitos maléficos, há um outro problema ambiental bastante sério que afeta muito a qualidade do ar: frequentemente, lixões e aterros sanitários são incendiados (acidentalmente ou de propósito) e milhões de toneladas de fumaça tóxica são lançadas na atmosfera, intoxicando milhares de pessoas e, algumas vezes, chegando a provocar mortes – isso é assunto para uma outra postagem.

Vamos continuar no próximo post.

2 Comments

  1. […] Os problemas criados pelos lixões da Região Metropolitana de Moscou são muitos. A intoxicação de moradores que vivem nas cercanias desses lixões por gases tóxicos liberados pelos resíduos é um dos principais problemas. De acordo com reportagem publicada pela AFP – Agência France Press, cerca de 50 crianças de Volokolans, uma cidade que fica a Nordeste de Moscou, foram atendidas em um posto de saúde local em março de 2018 apresentando graves problemas de intoxicação. A causa dessa intoxicação foram as intensas emissões de gases de um grande lixão localizado nas proximidades.  […]

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