ALUMÍNIO: O CAMPEÃO DA RECICLAGEM

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Você sabia que o alumínio, metal usado para fabricar as populares latinhas de cerveja e refrigerante, já foi o metal mais raro do mundo e que valia mais do que o ouro? Vamos entender isso:

No início da Era Cristã, os médicos romanos utilizavam um raríssimo remédio conhecido como alumen, um composto de alumínio que chamamos hoje de sulfato de alumínio. Apesar de ser um dos minerais mais abundantes no Planeta Terra, o alumínio sempre é encontrado associado a outros metais e a sua separação era extremamente difícil e cara – essa é a razão da extrema raridade do metal em tempos remotos e, consequentemente, a causa do seu alto valor comercial.

Os alquimistas tentaram, durante séculos, desenvolver metodologias para a obtenção de metais raros – a mais famosa delas era a tentativa de transformar chumbo em ouro: não tiveram sucesso nesta e também não conseguiram achar um meio eficiente de separar o alumínio. Foi somente no século XIX que os cientistas conseguiram desenvolver processos eficientes e economicamente viáveis para a produção do alumínio, combinando processos de fundição com a eletrólise, que é a técnica de decomposição de um composto em seus componentes mediante a passagem de uma corrente elétrica.

O principal minério que contém alumínio é a bauxita, descoberta pela primeira vez em uma mina na cidade francesa de Lês Baux. Num processo de refino obtém-se a alumina, um pó branco semelhante ao açúcar. A alumina passa por uma série de processos químicos – moagem, filtragem, calcinação e, finalmente, a eletrólise, processo final onde é necessário o uso de muita eletricidade. O saudoso empresário brasileiro Antônio Ermirio de Moraes (1928-2014) costumava dizer que “alumínio é eletricidade empacotada”. O alumínio também é um dos campeões na geração de rejeitos minerais – para a produção de 1 quilograma do metal são gerados 4 quilogramas de rejeitos minerais.

Peças metálicas construídas com alumínio são leves, flexíveis e muito resistentes – ele se tornou um metal fundamental para a construção dos aviões, carros e outros veículos, na construção civil e também na produção de fios elétricos. Mas foi na década de 1950 que o alumínio ganhou de vez a sua popularidade: começaram a ser produzidas as latinhas de alumínio e o metal ganhou o mundo definitivamente.

No Brasil, a produção das latas de alumínio foi iniciada em 1989, com grande e rápida aceitação pelo mercado – atualmente são produzidas mais de 20 bilhões de latinhas a cada ano. O fenômeno do sucesso das latinhas também se refletiu rapidamente no mercado da reciclagem do alumínio – há mais de 10 anos que o Brasil mantém o índice de 98% de reciclagem das latas colocadas no mercado, o que dá ao nosso país o primeiro lugar na reciclagem deste metal no mundo. De acordo com dados da ABRALATAS – Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade, em 2015 foram recicladas 292,5 mil toneladas de alumínio de latinhas em todo o Brasil. A reciclagem desse volume de alumínio é, do ponto de vista da ecologia, um feito magnífico – evita-se a devastação de grandes áreas na mineração da bauxita, a produção de grandes volumes de rejeitos minerais, a emissão de milhões de toneladas de gases que provocam o efeito estufa e há uma economia brutal no consumo de energia: o reprocessamento do alumínio utiliza apenas 5% da energia que seria gasta na produção do alumínio a partir da bauxita.

Apesar de todas as vantagens proporcionadas pela reciclagem do alumínio, reciclagem essa que deve ser mantida, há um lado triste nesta história: ao contrário dos japoneses, finlandeses e outros povos de países com alto nível de desenvolvimento social e econômico, que reciclam as latinhas por razões de consciência ambiental, brasileiros miseráveis vasculham diariamente as ruas, lixeiras e todos os tipos de aterros atrás das preciosas latinhas para garantir um rendimento mínimo para a sua sobrevivência: 67 latinhas correspondem a 1 quilograma de alumínio e pode gerar um rendimento médio de R$ 3,00 – o valor de uma refeição básica para um morador de rua.

Que não tarde chegar o dia em que a reciclagem das latinhas venha a ser puramente pela conscientização ambiental dos brasileiros…

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