VIDRO: UM MATERIAL LITERALMENTE “INFINITO”

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No meu último post relembrei os tempos da minha infância, quando o leite era comprado em garrafas de vidro – a maioria dos leitores só deve ter visto essa forma de compra em filmes antigos, quando as imagens mostravam o leiteiro entregando garrafas com leite na porta das casas e pegando de volta as garrafas vazias, que seriam devidamente lavadas e esterilizadas, seguindo para a linha de produção para receber um novo envasamento de leite. Nesses mesmos tempos, era também possível comprar óleo comestível a granel – você levava uma garrafa vazia e limpa até o mercado do bairro e escolhia o tipo de óleo da sua preferência: milho, girassol, amendoim, azeite etc. (acho que o óleo de soja ainda não estava disponível no mercado há época); o balconista enchia a garrafa com uma bomba manual e o cliente só pegava pelo conteúdo líquido. Refrigerantes e cervejas também eram vendidos a partir da troca dos “cascos” (ainda hoje isso persiste em menor escala). As garrafas tinham, em resumo, uma vida útil bastante longa.

O vidro é uma das matérias primas mais versáteis nos quesitos reutilização e reciclagem. Antes de tudo, deixem-me explicar rapidamente estes dois conceitos, bastante confusos para a maioria: reutilização faz referência ao reuso de uma matéria prima ou de um material sem que seja necessária a utilização de energia ou retrabalho: uma garrafa vazia de vinho, por exemplo, pode ser reutilizada para o envasamento de um licor caseiro ou até mesmo de pimentas em conserva – os artesãos que produzem esses produtos terão de se preocupar apenas em lavar e esterilizar a garrafa antes de envasar o novo conteúdo.

No caso da reciclagem a garrafa será utilizada como matéria prima para a produção de um vidro “novo” – as garrafas “velhas” serão encaminhadas para uma unidade industrial, onde o vidro será divido em função da cor (na maioria dos casos em vidro transparente, marrom e verde), passando depois por um processo de trituração, indo a seguir para os fornos de alta temperatura para derretimento em conjunto com alguns produtos químicos e areia especial, produzindo-se assim vidro “novo”; esse vidro “novo”, na maioria dos casos, poderá ser reprocessado infinitas vezes. Nesse verbete também podem ser incluídos os vidros que passam por algum tipo de retrabalho (corte, remodelagem por calor etc.) e as partes são usadas na produção de produtos e objetos – um exemplo são os copos feitos a partir do corte e processamento do vidro de garrafas usadas.

O vidro é um dos materiais mais antigos utilizados pelo ser humano – erupções vulcânicas, sob certas condições, expelem junto com a lava e cinzas pedras de vidro – no sopé do famoso vulcão Vesúvio, nas cercanias da cidade de Nápoles na Itália, a coleta de peças de vidro vulcânico é uma das atividades favoritas dos turistas. Esse vidro natural era lascado e usado como faca, além de incrementar as pontas das lanças e flechas de antigos homens das cavernas. O primeiro povo a dominar a produção “industrial” do vidro foram os fenícios, antigos habitantes da região onde encontramos o atual Líbano. Entre os anos 1.500 e 300 a.C.,auge desta civilização, os fenícios dominavam o comércio no mundo antigo – o vidro era um produto importante na sua lista de produtos comercializados, sendo vendido em peças decorativas e de utilidade, assim como em embalagens de produtos finos como perfumes e essências.

A importância do vidro só fez crescer ao longo da história da humanidade, ocupando nichos de mercado dos mais diversos. Nos dias de hoje, a construção civil, só para citar um exemplo, encontra cada vez maiores aplicações para os vidros especiais (vidros de segurança de alta resistência), o que permite construções cada vez mais bonitas e inovadores. Infelizmente, o uso de embalagens de vidro para acondicionamento de produtos de consumo vem perdendo espaço ante ao crescimento das embalagens plásticas, que foram as responsáveis pelo vertiginoso crescimento do volume de resíduos domésticos – dê uma olhada na quantidade de plásticos diversos que você descarta todos os dias aí na sua casa.

Há um outro lado – descartado indevidamente, esse mesmo vidro poderá sobreviver infinitamente no meio ambiente (pelo menos até o momento que um vulcão entrar em erupção e derreter e desintegrar esse vidro).

Viva o vidro!

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