CAIXA D’ÁGUA: OS BENEFÍCIOS E OS PROBLEMAS

Caixa de água

Na recente crise hídrica enfrentada pela Região Metropolitana de São Paulo, os responsáveis pelas empresas e autarquias municipais adotaram uma série de medidas para a economia de água, nem sempre as mais populares. Uma dessas medidas, talvez a mais polêmica, tratava da redução da pressão da água nas tubulações como forma de reduzir as perdas na distribuição pela rede. Como se sabe, as perdas na distribuição de água na Região Metropolitana são da ordem de 30% e qualquer redução num momento de crise hídrica acentuada é sempre bem vinda.

As reclamações de moradores informando a falta de água, especialmente nas regiões mais altas das cidades, não tardaram a aparecer na imprensa, apesar das declarações dos responsáveis pelo abastecimento afirmarem que não havia falta de água e sim uma redução da pressão. Com o passar dos meses começou a ficar claro qual era realmente o problema: a maior parte dos moradores que afirmava não ter água em suas torneiras não dispunha de uma caixa d’água em seus imóveis. O Governo do Estado chegou até a criar um programa para a distribuição de caixas de água para a população de baixa renda – esse programa apresentou uma baixíssima adesão pois os imóveis destas famílias não apresentava condições técnicas para receber uma caixa d’água.

De acordo com as normas técnicas, todo imóvel deve possuir um reservatório para o armazenamento de água, visando o abastecimento das famílias em situações emergenciais de falha no abastecimento. Essa reserva deve atender o consumo da família por, no mínimo, 2 dias. Relembrando dados de post anterior, afirmamos que o consumo diário de água por habitante está na faixa entre 150 e 200 litros por dia; caso essa família seja composta por 5 pessoas, teremos um consumo diário de até 1.000 litros de água, o que corresponde a necessidade de uma reserva mínima de 2.000 litros para dois dias de consumo.

Considerando que 1 litro de água pesa aproximadamente 1 quilograma, um reservatório com 2.000 litros de capacidade pesará aproximadamente 2 toneladas. Para que você entenda a dificuldade de apoiar todo esse peso sobre a estrutura de uma casa saiba que uma laje de ótima qualidade tem capacidade de suportar uma sobre carga de 250 kg por metro quadrado – percebe-se só por esse número que há necessidade de um reforço na estrutura do imóvel para que suporte o peso da caixa d’água. As construções “populares” que encontramos nas regiões periféricas das cidades, sem entrar em maiores detalhes técnicos, não suportam essa sobre carga em suas lajes (as lajes pré-fabricadas usadas nas construções populares são projetadas para suportar uma sobre carga média de 150 kg por metro quadrado).

Essa dificuldade na instalação de caixas d’água estimula o uso de reservatórios improvisados nos quintais como tambores, barris, baldes, bacias, tanques e até mesmo caixas d’água apoiadas sobre o solo. Como é de conhecimento geral, esses reservatórios quando deixados abertos ou mal tampados podem ser transformados em criadouros de mosquitos como o Aedes Aegypti, responsáveis pela transmissão de inúmeras doenças. As caixas d’água mesmo quando instaladas corretamente no alto dos imóveis, podem ter esse mesmo destino quando não tampadas adequadamente (as tampas de alguns modelos de caixa em termoplástico são facilmente levadas pelo vento mais forte – vide imagem deste post), com a desvantagem da dificuldade de acesso para uma vistoria frequente.

Estamos só começando neste assunto. Continuamos no próximo post.

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