FALANDO DE ÁGUA POTÁVEL, OU A CIDADE DO VALE DO INDO QUE INAUGUROU SUA REDE DE ABASTECIMENTO NO ANO 3.200 a.C.

Mohenjo-Daro

Redes de Abastecimento de Água e de Coleta de Esgotos, apesar de serem tratadas como uma grande novidade em muitas (muitas mesmo) cidades aqui no Brasil, já atendiam populações de grandes cidades num passado remoto. Um exemplo: em Mohenjodaro, no Vale do Rio Indo, região hoje dividida entre a Índia e o Paquistão e considerado um dos berços da civilização, redes de abastecimento de água e de esgotos começaram a ser utilizadas a partir do ano 3.200 a.C., ou seja, há mais de 5.200 anos!

Tubulações subterrâneas, feitas de argila cozida ao sol, conduziam a água desde as nascentes até tanques nas cidades, onde os moradores a coletavam em jarros; o esgoto que saía das casas corria através de condutos de tijolos sob as ruas. E não é só isso – inscrições religiosas em sânscrito, a língua sagrada desses povos antigos (ancestrais, entre outros, dos atuais hindus), traziam recomendações para o armazenamento da água em jarros de cobre e ensinava ainda que esses jarros deveriam ser colocados no fogo ou ao sol para ferver a água, ou recomendava se colocar um ferro em brasas dentro da água para purificá-la. Quanta sabedoria e inveja de tais conhecimentos!

Estudando-se a história de outros povos, você encontrará experiências parecidas entre os sumérios, chineses, babilônicos, egípcios, maias entre muitos outros. Um exemplo clássico se encontrava na antiga capital do mundo: no século IV a.C., Roma tinha uma população de 400 mil habitantes, maior do que a população atual de algumas capitais brasileiras, e o maior sistema de abastecimento de águas da antiguidade. Os cidadãos romanos dispunham de um complexo com onze aquedutos, garantindo o fornecimento de 750 milhões de litros de água potável por dia, e de uma rede subterrânea de esgotos em toda a cidade – a famosa CLOACA MÁXIMA. Esses sistemas continuaram em uso por vários séculos após a queda do Império Romano.

Os povos antigos utilizavam tecnologias rudimentares de construção, baseadas no esforço e nas habilidades manuais do ser humano, e em materiais simples como argila, bambu, tijolos e pedras – em raríssimas situações empregavam dispendiosos metais como cobre, bronze e chumbo. E nós, com toda a moderna tecnologia e novos materiais construtivos de que dispomos, não conseguimos universalizar e avançar com o saneamento em nossos dias. 

Há muito se sabe que comunidades que passam a receber água potável fornecida através de uma rede pública de abastecimento experimentam rapidamente uma revolução na saúde e na qualidade de vida (que só não é maior porque as redes de coleta de esgotos não são construídas simultaneamente). Muitas das doenças que afligem grandes contingentes populacionais são transmitidas por micro-organismos presentes no meio ambiente, e cerca de 80% das doenças dos países em desenvolvimento (como o Brasil) são provenientes da água contaminada por patógenos. As enfermidades mais comuns que podem ser transmitidas pela água são: Febre Tifóide, Disenteria, Cólera, Diarréia, Hepatite, Leptospirose e Giardíase. Outras doenças, muito conhecidas por nós, estão associadas em grande parte à reservação inadequada de água (localidades sem o abastecimento público ou com fornecimento irregular), onde os reservatórios se transformam em criadouros de mosquitos transmissores da Dengue, da Zika e da febre Chukungunya.

Também se sabe há muito tempo que o investimento em saneamento básico resulta em economia de recursos na área de saúde: estudos internacionais mostram que para cada US$ 1.00 investido em saneamento obtém-se uma economia de até US$ 5.00 em serviços de saúde. A população ganha muito em saúde e qualidade de vida e os governos passam a contar com sobras de recursos para investir em outras áreas importantes como educação, habitação, segurança e obras essenciais de infraestrutura – ganha-se por todos os lados e, melhor: quebra-se definitivamente o círculo vicioso da pobreza.

É preciso parar e refletir muito sobre tudo isso.

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