
Em fevereiro de 2021, publicamos uma postagem aqui no blog comentando sobre a temperatura na cidade siberiana de Verkhoyansk, que atingiu a surpreendente marca de 38º C, um recorde para os padrões locais. Nessa postagem fizemos questão de recordar a música “Rio 40 graus” de Fernando Abreu.
Se passaram pouco mais de dois anos e os níveis de temperatura na Sibéria, uma das regiões mais frias da Rússia, voltaram a se aproximar dos 40º C, mostrando que o calor veio para ficar na região.
Uma fortíssima onda de calor está assolando diversas partes da Ásia e a Sibéria não é exceção. Nos últimos dias, a cidade de Jalturovosk viu seus termômetros atingirem a marca de 37,9º C, a temperatura mais alta de sua história.
E esse não foi um caso isolado. No dia 6 de junho, a temperatura atingiu 39,6º C em Baevo e 38,5º C em Barnaul, ambas cidades localizadas na Sibéria. As temperaturas na região estão de 10º C até 20º C acima da média histórica para a época, que é final de primavera no Hemisfério Norte.
De acordo com os meteorologistas, essa é a pior onda de calor já enfrentada pela Sibéria, que não está sozinha em meio a todo esse calorão. Algumas regiões da China registraram temperaturas de mais de 45º C, com algumas cidades no Noroeste do país chegando aos 47º C.
Na Ásia Central, os termômetros atingiram 43º C no Uzbequistão e 41º C no Cazaquistão. No Sudeste Asiático, região que já é considerada quente, as temperaturas bateram recorde: 44º C no Vietnã e 45º C na Tailândia. Em Myanmar os termômetros chegaram a 43,8º C e no Laos a 43,5º C.
Todas essas temperaturas recordes estão sendo registradas dois meses antes da chegada do auge do verão, que no Hemisfério Norte costuma acontecer nos meses de agosta e setembro. Isto indica que temperaturas ainda mais altas poderão ser registradas daqui para a frente.
Também é preciso citar aqui que o Canadá está enfrentando uma forte onda de calor que, entre outros problemas, está contribuindo para a ocorrência de grandes incêndios florestais. Mais de 400 áreas do país estão com suas florestas ardendo, o que tem gerado enormes nuvens de fumaça. Além do Canadá, essa fumaça já atingiu grandes áreas do Norte e do Nordeste dos Estados Unidos, além da Groenlândia e a Islândia, podendo chegar até na Noruega.
Um dos prováveis responsáveis por todo esse calor é o El Niño, fenômeno climático que se caracteriza por um aumento anormal das temperaturas superficiais de uma extensa área do Oceano Pacífico. Os meteorologistas confirmam que existem fortes chances de o fenômeno ocorrer este ano e todas as condições climáticas apontam para a chegada do “menino malvado”, apelido que ganhou aqui do blog.
De acordo com informações da OMM – Organização Meteorológica Mundial, uma agência ligada a ONU – Organização das Nações Unidas, existe 60% de possibilidade de que o El Niño se desenvolva até o fim de julho, e cerca de 80% de possibilidade de formação do fenômeno até o mês de setembro.
Além da expectativa da chegada do El Niño, o mundo já está convivendo com temperaturas recordes nos oceanos. No início do último mês de abril a temperatura média dos oceanos atingiu a marca de 21,1º C, superando o recorde anterior de 21º C estabelecido durante o forte El Niño de 2016.
Medições sistemáticas da temperatura das águas dos oceanos mostraram uma sequência ininterrupta de 60 dias com recordes sucessivos da temperatura das águas, um sinal claro de que todo o planeta está ficando mais quente. Se alguém ainda tem alguma dúvida sobre o aquecimento global, melhor ir colocando as barbas de molho, de preferência em água bem gelada.
Até algumas décadas atrás, temperaturas acima dos 40º C eram características dos verões de regiões em áreas tropicais do planeta, citando como exemplo o nosso Rio de Janeiro, e também de algumas áreas desérticas. Imaginar que temperaturas com esses níveis estão se tornando comuns até na Sibéria é sinal de que as coisas não andam nada bem com o nosso planeta.
Só para constar, a Sibéria é uma vasta região da Rússia que se estende por biomas como a tundra ártica, a taiga – a floresta de coníferas do Norte, além de englobar regiões montanhosas como os Montes Urais, as Montanhas Altai e a cordilheira de Verkhoiansk. A Sibéria ocupa uma área total de mais de 13 milhões de km².
Essa região ficou famosa nos tempos da antiga URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, época em que os prisioneiros políticos do regime comunista eram enviados para os gulags, campos de concentração espalhados por toda a Sibéria.
Para encerrar, uma curiosidade: a temperatura mais alta já registrada na Terra foi de 56,7º C, no Death Valley, uma área desértica no Estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Vamos ver por quanto tempo esse recorde ainda vai perdurar…
