O “APAGÃO” DA REDE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA DA REGIÃO METROPOLITANA DO RIO DE JANEIRO

Há muito tempo atrás, quando mal havia completado quinze anos de idade, comecei a frequentar uma escola técnica onde me formaria anos depois como técnico em eletrônica. Lembro bem que eu e muitos dos meus colegas de sala de aula tínhamos uma enorme dificuldade para entender os principais conceitos da eletricidade, uma forma de energia invisível e que era a base do nosso curso. 

Foi então que um dos nossos professores passou a fazer analogias entre redes de canos hidráulicos e de eletricidade. A caixa d’água representava a bateria ou a fonte de força, os canos eram os fios, as torneiras eram potenciômetros e assim por diante. Foi então que, como num passe de mágica, as dúvidas desapareceram e foi bem mais fácil acompanhar as matérias. 

Comecei relembrando essa antiga história por que dois eventos diferentes, em dois Estados brasileiros e ocorridos nesses últimos dias juntou essas duas áreas: um Estado enfrentou problemas ligados à distribuição de energia elétrica e em outro a população está com o abastecimento de água comprometido.

O primeiro problema aconteceu no Amapá, onde um incêndio ainda não totalmente explicado destruiu um transformador de energia de grande porte da principal subestação de energia do Estado. Um componente de uma rede elétrica ou de um circuito eletrônico queimar não é exatamente o fim do mundo – quando um profissional dessas áreas faz o projeto, ele sempre trabalha com uma margem de segurança para evitar “acidentes”. Só que, em situações excepcionais, algo dá errado e surge o problema – é preciso então substituir o componente danificado. 

No caso do transformador do Amapá isso não foi possível – a peça reserva estava danificada já havia bastante tempo e, sem ela, não havia como religar a rede elétrica. Cerca de 800 mil amapaenses ficaram por quase duas semanas no escuro até que uma grande força de trabalho federal, que envolveu civis e militares, conseguiu resolver o problema na última quinta-feira. As responsabilidades ainda serão devidamente apuradas e esperemos que os responsáveis sejam punidos de forma exemplar.

Um problema semelhante está acontecendo nesse exato momento em, pelo menos, 17 bairros da cidade do Rio de Janeiro e em alguns municípios da Baixada Fluminense. Cerca de 1 milhão de pessoas estão com o abastecimento de água em suas residências comprometido – um dos grandes motores elétricos de uma estação de bombeamento queimou e a CEDAE – Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro, aparentemente não tem uma unidade de reserva para fazer a substituição. 

O problema ocorreu na Estação Elevatória do Lameirão, em Senador Vasconcelos na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. Com a queima do motor de uma das bombas, a Estação não consegue trabalhar com sua capacidade plena e falta pressão nas tubulações para fazer a água chegar em bairros mais distantes e mais altos. A CEDAE informa que tem feito manobras na rede para compensar essa perda, mas isso não está sendo suficiente para fornecer água para toda a população. 

Como sempre acontece nessas situações, a população está gastando um bom dinheiro para conseguir levar água para casa. Os preços das garrafas de água mineral disparou e há inclusive dificuldade em se encontrar o produto em muitos mercados. No bairro de Benfica, na Zona Norte da cidade, há notícias que o preço da carga de água nos caminhões-pipa saltou de R$ 250,00 para R$ 700,00

De acordo com informações divulgadas pela CEDAE, o problema só estará completamente resolvido dentro de 25 dias. Conhecendo o histórico de maus serviços da empresa, é bem possível que o problema dure muito mais tempo e que cariocas e fluminenses das regiões afetadas corram um sério risco de passar o Natal e o Ano Novo com as torneiras secas

Em tempos de pandemia da Covid-19, de desemprego, da chegada do forte verão e de todos os problemas econômicos, sociais e políticos vividos pelo Estado do Rio de Janeiro atualmente, não poderíamos esperar notícias piores. Quem sabe não seria possível mobilizar uma grande força de trabalho civil e militar como foi feito no Amapá, dando uma força para essas populações e resolvendo essa questão em um prazo menor. 

Fica aqui minha sugestão. 

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