“LIXÃO DA ESTRUTURAL É FECHADO E REJEITOS PASSAM A SER DESCARTADOS EM ATERRO”

Lixão da Estrutural - Wellington Hamm - G1

Uma notícia extremamente relevante, publicada hoje pelo Portal G1: depois de muitos anos de luta, o maior lixão da América Latina – o Lixão da Estrutural no Distrito Federal, finalmente está encerrando as suas atividades hoje, dia 20 de janeiro de 2018. Leiam a integra da reportagem:

“Em atividade desde a década de 1950, o Lixão da Estrutural – considerado o maior da América Latina e o segundo do mundo com 200 hectares de área – foi desativado neste sábado (20). O encerramento das atividades ocorre 8 anos após determinação judicial.

A partir de agora, todos os rejeitos serão despejados no Aterro Sanitário de Brasília, em Samambaia, ao lado da DF-080. Os catadores serão transferidos para cinco galpões de reciclagem com capacidade para 1,2 mil trabalhadores cada. (Entenda abaixo).

A cerimônia oficial de encerramento ocorreu por volta das 9h, com a presença da diretora-presidente do SLU, Kátia Kampos, e do governador Rodrigo Rollemberg. Em ato simbólico, ele fechou o portão do lixão com correntes de ferro e cadeado.

Rollemberg disse estar emocionado com o fechamento e afirmou que os novos galpões “darão mais dignidade [aos catadores], seres humanos como nós”.

A catadora Rosineide Silva, de 29 anos, no entanto, contesta a afirmação do governador. Há 15 no lixão, ela disse ao G1 que decidiu não migrar para os galpões de reciclagem, porque lá “ganha muito pouco”.

“Vou procurar emprego em outro local da coleta seletiva.” A catadora disse, ainda, que o encerramento das atividades no lixão vai “enfraquecer o comércio e piorar a segurança” no local.” Agora não vai ficar um policial aqui.”

Já o ex-catador José de Souza disse acreditar em uma melhora do trabalho. “Nas condições que se encontra hoje não é bom pra ninguém.” Ele esteve no lixão por mais de 10 anos, mas há quase uma década trabalha como pedreiro.

Durante o evento, uma nuvem de fumaça cinza foi vista à distância, no local onde o lixo é enterrado. O Corpo de Bombeiros, que estava presente, informou não ser possível identificar as causas.

Projetado para comportar 8,13 milhões de toneladas de lixo, o novo depósito tem área total de 760 mil metros quadrados, dos quais 320 mil são destinados a receber os rejeitos – o que sobra depois que todo o material reciclável é coletado. A vida útil estimada é de 13 anos.

O aterro está em funcionamento há cerca de um ano e recebeu 214 mil toneladas de resíduos – a média diária é de 800 toneladas. Em novembro do ano passado, o terreno recebeu uma manta de impermeabilização de 22 mil metros quadrados para evitar a contaminação do solo e dos lençóis freáticos.

E agora, como fica?
A partir de agora, os resíduos que permanecem no lixão serão cobertos com terra para “facilitar a decomposição”, explicou Kátia Campos. Segundo ela, parte do terreno funcionará como ponto de descarte de entulho da construção civil até que sejam licitadas empresas para processar esses resíduos.

A fim de recuperar a área, a diretora-presidente do SLU disse, ainda, que o GDF vai abrir uma licitação para elaborar um estudo que viabilize a reutilização do solo. Para isso, o governo também deve solicitar financiamento internacional.

“Será um processo longo e custoso. Nossa conclusão [com isso] é que não vale a pena poluir o meio ambiente”, disse Kátia. O custo total estimado é de R$ 30 milhões, superior ao da construção do novo aterro, de R$ 27 milhões.

Por que fechar?
O fechamento do Lixão da Estrutural é uma determinação do Tribunal de Justiça do DF de 2007, motivada por ação do Ministério Público. A medida atende, também, à Política Nacional de Resíduos Sólidos, publicada em 2010.

O lixão é considerado uma “irregularidade” pela Lei de Crimes Ambientais, de 1998, e pela Política Nacional do Meio Ambiente, de 1981. O depósito fica ao lado do Parque Nacional de Brasília, uma unidade de conservação que se estende por mais de 40 hectares.

O analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) Grahal Benatti aponta que essa proximidade gera impactos na fauna, flora e até na água que abastece a população do DF. Em relatório, o próprio SLU trata o depósito irregular como “chaga ambiental”.

Os catadores que trabalhavam no lixão e são vinculados a cooperativas estão sendo transferidos para os galpões de reciclagem do GDF desde 2015. Pelo menos duas mil famílias sobrevivem dos rejeitos.

Ao todo, cinco galpões de triagem serão alugados para receber até 1,2 mil catadores – dois estão contratados, no Setor Complementar de Indústria e Abastecimento (SCIA) e no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).

Nesta fase de transição, os catadores recebem uma espécie de compensação financeira temporária de R$ 360,75. O governo considera a ajuda como uma forma “compensar os trabalhadores pela redução da demanda de resíduos em função da desativação gradual do lixão”.

Para os trabalhadores, no entanto, o incentivo mensal não cobre o prejuízo que terão com a desativação do lixão. A catadora Zilma da Silva, de 53 anos, que já trabalha em um dos galpões, disse ao G1 que sofreu redução de R$ 1,4 mil nos rendimentos mensais.”

Por Marília Marques, G1 DF
20/01/2018 10h09

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