REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR: ACHO QUE VOCÊ JÁ LEU SOBRE ISSO POR AQUI

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O aumento do volume do lixo é uma preocupação global e existem diversos movimentos nos países mais desenvolvidos no sentido de estabilizar e reverter essa situação. Entre outras iniciativas, esses países trabalham com os conceitos de Redução do volume de resíduos sólidos gerados, no estímulo à Reutilização de resíduos e materiais e também na Reciclagem, que é a transformação dos resíduos sólidos em matérias primas. Eu já escrevi sobre esses temas e você poderá consultar alguns destes posts a partir dos links indicados.

Para não ficar “chovendo no molhado”, vamos analisar o caso prático da cidade de São Paulo, onde todos os aterros sanitários do município estão saturados e já existe a “exportação” dos rejeitos para aterros localizados em outros municípios da Região Metropolitana, como Caieiras.

São Paulo é a maior cidade brasileira, com uma população de 11 milhões de habitantes. Sua Região Metropolitana figura entre as dez mais populosas do mundo, com uma população estimada em mais de 21 milhões de habitantes. Em uma região onde vive tanta gente, como não poderia deixar de ser, geram-se volumes impressionantes de resíduos sólidos – verdadeiras montanhas de “lixo”. São Paulo é a cidade que mais produz resíduos sólidos no Brasil, com um volume com cerca de 19 mil toneladas diárias. A composição média desses resíduos pode ser conferida nesta tabela:

– Lixo orgânico (52%)
– Papel e papelão (26%)
– Plástico (3%)
– Metais: ferro, alumínio, aço, etc. (2%)
– Vidro (2%)
– Outros (15%)

Sem maiores esforços, você vai perceber que 35% dos resíduos sólidos são materiais recicláveis e reutilizáveis que, via de regra, não deveriam ser encaminhados para os aterros sanitários – a cidade de São Paulo, porém, é uma das que menos recicla e/ou reutiliza no mundo: apenas 1% dos resíduos sólidos produzidos são reaproveitados de alguma forma.

Chama atenção também o grande volume de lixo orgânico na composição dos resíduos orgânicos da cidade – 52%. Resíduos orgânicos, como todos devem saber, podem ser transformados em adubo orgânico a partir de processos de compostagem. Considerando que o Brasil é uma potência mundial na produção agrícola, seria bastante razoável imaginar que boa parte desses resíduos poderiam ser processados em escala industrial e vendidos posteriormente na forma de adubo orgânico para os produtores rurais, reduzindo-se substancialmente o volume de rejeitos orgânicos destinados aos aterros sanitários.

No item Outros, que corresponde a 15% da composição dos resíduos sólidos, encontraremos os resíduos da construção civil, restos de madeira, lixo eletrônico, além de outros resíduos diversos inclassificáveis. Resíduos da construção civil representam uma classe específica dos resíduos sólidos, com grande potencial de reciclagem e reutilização, e não devem ser misturados ao popular “lixo comum”. Resíduos de madeira, na pior hipótese, tem grande potencial na geração de energia através da queima. Lixo eletrônico, já falamos muito sobre ele, traz uma série de riscos ao meio ambiente e também apresenta grandes potenciais de reciclagem através de tecnologias apropriadas.

Usando de puro bom senso, você pode observar que é uma verdadeira “judiação”, como falavam meus avós, jogar fora tantos materiais e resíduos com potencial de reutilização, inclusive com perspectivas de ganhos econômicos. Segundo o Movimento Nossa São Paulo, enterramos R$ 750 milhões em produtos recicláveis e reutilizáveis todos os anos aqui na nossa cidade. Mas, por puro comodismo ou burrice, resistimos em mudar nosso entendimento sobre os resíduos sólidos e continuamos a enviar diariamente montanhas e mais montanhas de materiais para os aterros sanitários.

O aterro de Caieiras sozinho recebe diariamente 700 caminhões, que despejam nas valas 6 mil toneladas de resíduos sólidos todos os dias. Desde o ano de 2002, quando esse aterro começou a operar, já foram depositados ali 15 milhões de toneladas de resíduos sólidos. A vida útil estimada para este aterro é de 20 anos – quando estiver completamente saturado, ele deverá ser abandonado e as autoridades buscarão uma outra área em condições de ser transformada num novo aterro sanitário.

É por isso que, na minha opinião, a redução do volume dos resíduos sólidos é tão urgente e é um dos principais objetivos da Política Nacional dos Resíduos Sólidos.

Até o próximo post.

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