OS RESÍDUOS ORGÂNICOS

cachorro

Eu trabalhei por 16 anos (como funcionário e depois como prestador de serviços) para uma grande multinacional holandesa. Frequentemente, funcionários eram enviados para treinamento na matriz na cidade de Eindhoven ou outras cidades holandesas onde a empresa possuía fábricas ou centros de pesquisa. Alguns destes treinamentos eram bastante longos e muitos funcionários acabavam levando toda a família. Entre outros problemas culturais, essas famílias se deparavam com uma regra referente à coleta dos resíduos orgânicos: cada família tinha direito a uma cota semanal entre 1 e 2 kg de resíduos por semana, o que era desesperador para os brasileiros que não conseguiam cumprir essa cota e pagavam multas. Um colega pernambucano, muito “arretado” em suas próprias palavras, não teve dúvidas – sabendo que as famílias holandesas em geral nunca atingiam a cota semanal de resíduos, fez questão de fazer amizade com todos os vizinhos logo que se mudou para uma dessas cidades e depois, valendo-se dessa “amizade”, saía distribuindo seu lixo excedente na cota da vizinhança. 

Aqui no Brasil, nossos problemas são bem maiores e ainda estamos engatinhando na gestão dos resíduos orgânicos:

Os resíduos orgânicos representam, em média, 50% do volume de resíduos gerados pelas famílias brasileiras. São definidos biologicamente como as matérias de origem animal ou vegetal e geologicamente como compostos de origem orgânica que são encontrados na superfície do solo. Esses resíduos incluem restos de alimentos preparados e ingredientes estragados; talos, cascas e sementes de frutas e vegetais; folhas e galhos de plantas e afins. Os papéis, que são feitos a partir de fibras vegetais, também entram nessa classificação, porém como já tratado em um post anterior, devem ser segregados e encaminhados para reprocessamento nas indústrias produtoras de papel.

Como se trata de matéria orgânica, são resíduos passíveis de decomposição e merecem cuidados especiais, preferencialmente sem muita demora. A decomposição dos resíduos orgânicos envolve processos físicos e químicos. Os processos físicos são realizados por insetos e vermes como formigas, besouros, minhocas, lesmas e caracóis que se alimentam dos resíduos e os transformam em partículas pequenas. Os processos químicos são realizados por micro-organismos de todos os tipos, incluindo bactérias, protozoários e fungos, que degradam os resíduos em partículas microscópicas, liberando gases como dióxido de carbono e água.

Uma regra geral da biologia diz que se existe alguma coisa para ser comida sempre aparecerá algum ser vivo para comer – logo, sacos e latas de lixo, e também os lixões e aterros sanitários, serão vistos com verdadeiros espaços gourmet por todo o tipo de criaturas: gatos, cães, urubus, ratos, baratas, formigas e outros insetos e vermes – incluindo-se aqui também seres humanos menos abastados. Algumas dessas criaturas são classificadas como “vetores” e conhecidas por transmitirem todos tipos de patologias – os ratos, só para citar, são transmissores da leptospirose (transmitida pela urina do animal especialmente em momentos de enchentes). Dependendo da forma como nós descartamos os resíduos orgânicos, poderemos estar alimentando os vetores que trarão doenças para as nossas vidas – ou seja, estaremos sustentando e cuidando dos nossos “inimigos” biológicos.

Os cuidados com o descarte dos resíduos orgânicos devem começar em nossas casas – os recipientes que recebem esses resíduos devem ser tampados ou fechados, evitando-se a atração de insetos e animais – inclusive nossos animais domésticos. Como são materiais que entram em decomposição rapidamente, deve-se evitar que fiquem muito tempo dentro de nossas casas – a decomposição por micro-organismos libera gases como o metano, que tem um cheiro bastante desagradável. A colocação dos sacos plásticos ou recipientes para a coleta nas ruas deve ser sincronizada com a estimativa de chegada dos caminhões de coleta – se colocados em horários inadequados, esses resíduos ficarão expostos a ação de cães, gatos e outras criaturas em busca de alimentos. Também é importante lembrar que em dias de chuva, sacos e recipientes com resíduos podem ser arrastados pela enxurrada,  resultando em pontos de alagamento.

Nos locais de destinação final dos resíduos orgânicos como os aterros sanitários e lixões, os responsáveis devem ser ágeis na disposição e cobertura dos resíduos com terra, controlando a quantidade dos inevitáveis “predadores”, o mal cheiro exalado pela decomposição dos resíduos, além do controle do chorume liberado.

Vamos continuar no próximo post. Até!

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