
Um grande mistério está chamando a atenção do mundo: as águas das piscinas de saltos ornamentais do Parque Maria Lenk, uma das instalações olímpicas do Rio de Janeiro, estão ficando verdes.
O porta-voz do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos, esclareceu que a causa da mudança de cor foi “uma proliferação inesperada de algas na piscina”. A organização explicou ainda que “o problema ter-se-á agravado por causa dos ventos fortes sentidos na região onde se encontra o Centro Aquático Maria Lenk”. Análises feitas em amostras de água indicam que não existe qualquer risco para a saúde dos atletas. As piscinas de saltos do Centro Aquático estão sediando as provas de natação sincronizada, pólo aquático e saltos para a água.
Apesar da fala diplomática do representante do Comitê, quem é do ramo sabe exatamente qual é o problema: micro algas verdes alimentadas por esgotos presentes na água.
Em posts anteriores apresentei os problemas enfrentados pelo Rio Guandu, manancial responsável pelo fornecimento de 85% da água consumida pelos habitantes da cidade do Rio de Janeiro. Esse rio sofre imensamente com a poluição por esgotos in natura despejados em sua bacia e a água captada para o abastecimento necessita de quantidades imensas de produtos químicos para ser transformada em água potável.
Os esgotos domésticos são ricos em matéria orgânica, que dissolvida na água provoca a eutrofização, que é o fenômeno do crescimento excessivo de plantas aquáticas através de uma super fertilização. Quando há um excesso de micro algas na água, o processo de tratamento não consegue ser 100% eficiente – pequenas quantidades de plantas seguem na água distribuída para a população. No caso das piscinas olímpicas, houve uma negligência na cloração da água e, com o calor dos últimos dias, as micro algas se reproduziram sem controle e deixaram as piscinas com a cor verde.
As autoridades do Rio de Janeiro têm feito enorme esforço, diga-se de passagem com muito sucesso, para esconder o lixo flutuante na Baia da Guanabara mas não conseguiram esconder os estragos que estão sendo provocados por algas verdes microscópicas.
Vejam que não existe mistério algum – o que existe é uma incompetência generalizada na gestão dos recursos hídricos…

[…] transformar em um grave problema ambiental por permitir um crescimento exponencial das bactérias e algas nas águas, o que resultará em um consumo de oxigênio superior a disponibilidade do meio. A […]
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