
Até bem pouco tempo atrás, os países europeus pareciam liderar a corrida das políticas ambientais mais incisivas para o combate às mudanças climáticas. Vítimas de ondas de calor, secas e incêndios florestais cada vez mais intensos, Governos e lideranças políticas do “velho continente” eram referências em todo o mundo na criação e implementação de políticas cada vez mais “verdes”.
Entre os grandes avanços dos últimos anos podemos destacar os incentivos aos combustíveis e energias renováveis, criação de metas ambiciosas para a descarbonização das economias, pressão intensa para a redução da produção de veículos a combustão interna, mudanças na produção agrícola, entre muitas outras.
Nos últimos tempos, entretanto, um número cada vez maior de países parece começar a “remar contra” muitas dessas mudanças, além de passar a buscar caminhos alternativos. A razão para essa guinada não é tão difícil de entender – as populações desses países começaram a se preocupar com os custos financeiros disso tudo e passaram a eleger políticos e partidos com visões menos radicais na área ambiental.
Um grande exemplo dessa mudança de postura é a Itália, país que elegeu um novo Governo de perfil conservador no ano passado. Usando como argumento a incapacidade de muitas empresas italianas em suportar as mudanças em seus processos produtivos, o Governo tem recuado em uma série de iniciativas da União Europeia.
Um exemplo são as metas de eliminação gradual da produção e venda de veículos que utilizam motores a combustão interna, um setor onde as indústrias italianas têm uma expressiva participação. A Itália também está exigindo mudanças nas metas de eficiência energética de edifícios.
Outro exemplo é a Grã-Bretanha, que já foi uma referência em áreas como a geração eólica, que vem sendo acusada de fazer “corpo mole” em relação as metas de zerar as emissões líquidas de poluentes até meados desse século. Novos anúncios de projetos utilizando combustíveis fósseis também vem manchando a reputação “verde” dos britânicos.
Nos Países Baixos se viu um vigoroso fortalecimento do partido BBB ou BoerBurgerBeweging (Movimento dos Agricultores-Cidadãos), movimento que surgiu em função das tentativas do Governo em intervir drasticamente na produção agrícola do país visando reduzir as emissões de nitrogênio.
Até mesmo na “verde” Alemanha, que durante muito tempo liderou as políticas ambientalistas na Europa, os ventos estão mudando. Disputas entre diferentes forças políticas do país sobre uma lei que previa a redução gradual de gás e derivados de petróleo em sistemas de aquecimento levou a uma ruptura entre os grupos. Semanas depois, os grupos voltaram a se acertar às custas do compromisso de se rever essa legislação.
Falar em criação de políticas ambientais para o combate às mudanças climáticas soa bem aos ouvidos de muita gente – porém, quando chega a hora de colocar a mão no bolso para pagar a conta dos custos dessas mudanças, aí as opiniões começam a mudar.
Lamentavelmente, é isso que está acontecendo hoje na Europa. Muito pior – a questão deverá ganhar cada vez mais “adeptos” ao longo dos anos…
