
Depois de falarmos longamente da Hidrovia Tietê-Paraná, um trecho de águas navegáveis com aproximadamente 2.400 km dentro do território brasileiro, vamos falar da Hidrovia Paraguai-Paraná, uma via de tansportes com extensão total de 3.442 km de águas internacionais navegáveis. Apesar de ainda carecer de uma infraestrutura adequada à toda a sua grandeza e potencialidades, esta Hidrovia já é um grande eixo de desenvolvimento regional, que precisa ser integrada o mais rapidamente possível à Hidrovia Tietê-Paraná. Vamos começar a conhecê-la:
A Hidrovia Paraguai-Paraná compreende um extenso trecho navegável nos rios Paraguai e Paraná entre a cidade brasileira de Cáceres, no Estado de Mato Grosso, e Nueva Palmira, no Uruguai, além de um trecho entre a confluência dos rios Paraguai e Paraná e as cidade de Foz do Iguaçu/Ciudad del Leste. É um projeto conjunto, mas ainda incipiente, dos cinco países signatários do Acordo de Transporte Fluvial pela Hidrovia Paraguai-Paraná: Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. Representantes desses cinco países formam o Comitê Intergovernamental de Gestão, com o objetivo de estabelecer as normas e procedimentos comuns para as operações de navegação na Hidrovia Paraguai-Paraná.
Para uma melhor apresentação e adequada conceituação, a Hidrovia Paraguai-Paraná é, usualmente, dividida em 5 trechos diferentes:
Trecho I – Entre as cidades de Cáceres, no Estado de Mato Grosso, e Corumbá, no Mato Grosso do Sul, com uma extensão total de 680 km em águas brasileiras.
Neste trecho, o rio Paraguai apresenta uma declividade bastante regular, com águas calmas, bastante favoráveis à navegação e uma largura média de 700 metros. Porém, é um trecho que, nos períodos de seca, passa a apresentar grandes bancos de areia e curvas extremante fechadas, dificultando a navegação. Também apresenta alguns obstáculos, que tornam a navegação muito perigosa. Um exemplo é a ponte da Rodovia BR-070, nas proximidades do porto da cidade de Cáceres. Para evitar acidentes, a Marinha do Brasil limita os comboios de barcaças a um comprimento máximo de 90 metros, incluindo-se neste comprimento o rebocador/empurrador, e 15 metros de largura.
Nos períodos de estiagem há um problema adicional: as águas apresentam uma quantidade excessiva de vegetação flutuante, o que pode causar problemas para a navegação. Nestes períodos é necessário um esforço maior das equipes de manutenção na limpeza das águas e remoção desta vegetação para evitar maiores problemas.
Trecho II – Entre as cidades de Corumbá, no Estado do Mato Grosso do Sul, e Assuncão no Paraguai, com uma extensão total de 1.132 km, classificado como águas internacionais.
Este é o trecho mais longo da Hidrovia Paraguai-Paraná. Apesar de apresentar condições de navegação bem mais favoráveis que o trecho brasileiro, apresenta alguns pontos problemáticos, com curvas fechadas e bancos de areia, especialmente em trechos próximos da foz dos inúmeros afluentes do rio Paraguai. A profundidade mínima das águas no canal de navegação desse trecho se situa entre 3,0 e 3,2 metros.
Este trecho permite a operação de comboios com até 20 mil toneladas de carga, distribuída em até 16 barcaças, com comprimento limitado a 290 metros, incluindo o rebocador/empurrador;
Trecho III – Entre as cidades de Assunção, no Paraguai, e Santa Fé na Argentina, com extensão total de 1.040 km em águas internacionais nos rios Paraguai e Paraná.
Em função da diferença na profundidade do canal de navegação, esse trecho pode ser dividido em 2 partes: um subtrecho com aproximadamente 400 km a partir da cidade de Assunção até a confluência dos rios Paraguai e Paraná, onde a profundidade mínima do canal pode variar entre 3,3 e 3,9 metros; no segundo subtrecho, com aproximadamente 610 km, entre a confluência dos rios Paraguai e Paraná e a cidade de Santa Fé, onde a profundidade mínima do canal de navegação pode variar entre 4 e 7 metros.
Nestes dois subtrechos está autorizada a operação de comboios de barcaças com rebocador/empurrador com cargas de até 30 mil toneladas. Este trecho apresenta boas condições de navegação durante a maior parte do ano;
Trecho IV – Entre as cidades de Santa Fé e Nueva Palmira no Uruguai, com extensão total de 590 km em águas internacionais do rio Paraná.
Este é o trecho que oferece as melhores condições para a navegação na Hidrovia Paraguai-Paraná, apresentando profundidades mínimas no canal de navegação entre 7 e 10 metros no trecho entre as cidades de Santa Fé e San Martin, e de 10 a 12 metros entre as cidades de San Martin e Nueva Palmira. Neste trecho são permitidos comboios de barcaças com cargas de até 40 mil toneladas.
Trecho V – Exclusivamente no rio Paraná, entre a confluência dos rios Paraguai e Paraná e as cidades de Foz do Iguaçu, no Brasil, e Ciudad del Leste no Paraguai, com uma extensão total de 680 km.
A navegação nesse trecho é limitada a trechos que apresentam uma profundidade mínima no canal de navegação entre 2,5 e 3 metros no período da seca. Existem alguns trechos onde a velocidade da correnteza do rio Paraná é muito forte devido ao leito rochoso do rio. Nas proximidades da confluência dos rios Paraguai e Paraná, devido a presença de bancos de areia, existem trechos onde a profundidade mínima pode cair para 1,8 metro no período da seca.
De acordo com dados das autoridades marítimas dos países signatários do Acordo de Transporte Fluvial pela Hidrovia Paraguai-Paraná, existem aproximadamente 174 passagens críticas homologadas, especialmente trechos com bancos de areia e afloramentos rochosos. O trecho que apresenta a maior quantidade de problemas fica entre as cidades de Corumbá e Assunção.
Apesar de todas as dificuldades naturais, especialmente as oscilações nos níveis dos rios entre os períodos de seca e de chuvas, a navegação através dos rios Paraguai e Paraná vem sendo fundamental para as populações de suas margens desde os primeiros tempos da colonização das Américas. Já existem 109 portos e terminais, entre públicos e de uso privativo, nos 5 países atendidos pela Hidrovia Paraguai-Paraná, número que poderá aumentar significamente após a implantação de obras e serviços de melhoria da infraestrutura ao longo da hidrovia.
No dia em que todos os países signatários do Acordo de Transporte Fluvial pela Hidrovia Paraguai-Paraná: Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai, conseguirem chegar a um entendimento minimamente razoável sobre a importância da navegação fluvial e consigam resolver os problemas de infraestrutura básica da hidrovia (entre outros: dragagem, sinalização, eliminação de obstáculos – especialmente as pontes baixas, construção de barragens para o controle do nível das águas, além da construção de eclusas), todos perceberão um aumento significativo nas taxas de crescimento de suas respectivas economias.
Nós continuaremos neste assunto na próxima postagem.

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