
Em nossa última postagem falamos da proibição das exportações de arroz pela Índia, país que responde por cerca de 40% das exportações do mercado mundial. A falta de chuvas nas regiões produtoras gerou uma grande quebra na safra e o Governo indiano, preocupado com seu mercado interno, proibiu as exportações do grão.
De acordo com estimativas do FMI – Fundo Monetário Internacional, essa medida poderá provocar um aumento de até 15% no preço mundial do produto. Conforme comentamos na postagem, sempre que há uma redução na oferta de um produto seu preço sobe.
Problemas climáticos estão provocando um fenômeno semelhante no mercado do azeite de oliva. Vários países estão tendo uma redução na produção de azeitonas, o que se reflete diretamente na produção do azeite de oliva.
A região ao redor do Mar Mediterrâneo é, historicamente, uma grande produtora de azeite de oliva e exemplifica como nenhuma outra os problemas na sua produção. A Espanha, um dos grandes produtores dessa região, viu sua produção média dos últimos cinco anos cair de 1,3 milhão de toneladas para 620 mil toneladas em 2023.
A razão para essa quebra na produção são as ondas de calor que se tornaram bastante frequentes no continente europeu nos últimos anos. De acordo com os produtores, as oliveiras precisam de tempo quente e seco para crescer, mas necessitam de temperaturas mais amenas para frutificar.
Para se produzir um litro de azeite de oliva são necessários, em média, cinco quilos de azeitonas. Para algumas variedades de plantas podem ser necessários até 25 quilos de azeitonas para produzir apenas um litro de azeite.
O preço médio do azeite de oliva virgem subiu cerca de 20% apenas em 2023. Se forem considerados os preços desde 2021, esse aumento chega aos 50%. Em países como o Brasil, onde a maior parte do azeite de oliva é importada de países europeus, os consumidores estão sentindo forte no bolso esse aumento nos preços.
Conforme já comentamos em postagens anteriores, problemas climáticos estão afetando outras culturas típicas da Europa como é o caso das uvas e, consequentemente, a produção de vinhos. Regiões tradicionalmente produtoras estão perdendo espaço para outras – um desses casos são as Ilhas Britânicas, onde a produção vinícola vem crescendo ano após ano.
É provável que um efeito semelhante passe a ocorrer com as oliveiras – muitas regiões sem qualquer tradição poderão em breve se tornar grandes produtoras tanto de azeitonas como de azeite de oliva. O grande problema é que uma oliveira leva 5 anos para começar a produzir as primeiras azeitonas e até 35 anos para atingir o auge de sua produção.
Ou seja – os apreciadores desse azeite vão precisar gastar bem mais do que gostariam ao longo dos próximos anos.
