
Existe uma relação direta entre clima e a vida animal e vegetal. Ao longo da história de nosso planeta, diferentes mudanças climáticas levaram a grandes mudanças nas configurações dos biomas e no habitat de plantas e animais..
Um dos exemplos mais impressionantes do poder dessas mudanças climáticas é o que aconteceu com uma extensa faixa no Norte da África, região hoje ocupada pelo Saara, o maior deserto do mundo com cerca de 9,5 milhões de km².
Há cerca de 20 mil anos atrás, após o último período de Glaciação ou Era do Gelo, como é mais conhecida popularmente, o Norte da África apresentava um clima mais úmido e com temperaturas mais baixas que as atuais, contanto com diversos rios permanentes. Muitos cientistas acreditam que o famoso Rio Nilo, que hoje atravessa o Egito de Sul a Norte e deságua no Mar Mediterrâneo, naqueles tempos atravessava todo o Norte da África e tinha a sua foz no Oceano Atlântico.
Grande parte do território que hoje se encontra soterrado por dezenas de metros de dunas de areia seca era coberto por densas florestas – as partes “mais secas” eram cobertas por vegetação de savana, muito parecida com o nosso Cerrado. Todos os animais africanos que você costuma ver nos documentários como elefantes, girafas, zebras, antílopes, rinocerontes, hipopótamos, macacos e aves de todos os tipos se espalhavam por todo esse território.
Pinturas rupestres deixadas pelos antigos habitantes da região em pedras espalhadas por todo o deserto do Saara mostram cenas em que aparecem todos esses animais. Se você pudesse viajar no tempo e desembarcar no meio desse território, nada lhe lembraria a imagem atual do Saara.
Esse clima e vegetação permaneceram inalterados até um período entre 8 e 10 mil anos atrás, quando o nosso planeta sofreu uma leve alteração no seu eixo de rotação, que foi suficiente para alterar a incidência solar no Norte da África e provocar uma alteração climática nos regimes de umidade e temperatura. Alguns cientistas afirmam que essa mudança ocorreu a menos tempo, há cerca de 5 mil anos atrás, mas com as mesmas consequências – as florestas retrocederam lentamente até desaparecer, as áreas de savana se ampliaram e a maior parte da vida animal migrou para o Sul.
As mudanças climáticas que estão “pipocando” atualmente por todos os cantos do mundo estão, sutilmente, provocando mudanças importantes na configuração da vegetação e também nas populações animais.
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Leeds do Reino Unido mostrou que as mudanças climáticas estão afetando a chamada “linha das árvores”, um limite que marca a altitude máxima em que as árvores costumam crescer.
Usando imagens de satélite, os pesquisadores comprovaram que essa “linha” avançou cerca de 1,2 metro por ano entre os anos 2000 e 2010 – nos trópicos, a mudança foi ainda maior e o avanço das árvores foi de 3,1 metros por ano.
Os pesquisadores desenvolveram um algoritmo que analisou imagens de satélite de quase 1 milhão de km² em 243 cadeias de montanhas em todo o mundo. Segundo as conclusões desse estudo, as mudanças climáticas estão alterando a temperatura ambiente, a umidade, a pluviosidade e o grau de exposição solar, fatores que determinam a altitude limite para o crescimento das árvores.
Em uma postagem anterior falamos de uma pesquisa do Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido que demonstrou que várias espécies de insetos que vivem em regiões montanhosas estão migrando para regiões mais altas também por causa das mudanças climáticas. Essa pesquisa vem de encontro a esse novo estudo.
E preparem-se: essas mesmas mudanças climáticas vão redesenhar as paisagens de grandes extensões de mares e terras de nosso planeta nas próximas décadas. Isso incluirá tanto sistemas florestais quanto populações de animais. Muitas dessas mudanças serão tão radicais como as que redesenharam o Norte da África alguns milênios atrás.
“Bem-vindos” a um novo mundo!

[…] MUDANÇAS CLIMÁTICAS ESTÃO “EMPURRANDO” ÁRVORES PARA O ALTO DE CADEIAS DE MONTANHAS […]
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