
O Canal de Suez, no Egito, foi um dos maiores feitos da engenharia no século XIX. Concluído em 1869, após dez anos de trabalho árduo, esse canal de pouco mais de 160 km de extensão passou a representar uma redução de mais de 7 mil km nas viagens entre a Europa e a Ásia Meridional e o Extremo Oriente.
Construído ao nível do Mar, o Canal de Suez tem uma largura média de 205 metros e uma profundidade de 24 metros. Ao longo dos anos a obra passou por diversas atualizações e conta atualmente com 193 km de extensão. Mais de 17 mil embarcações atravessam o canal todos os anos, tendo uma média diária de 47 embarcações, o que torna o Canal de Suez uma das principais artérias do comercio internacional.
O sucesso do projeto inspirou a construção de outros canais em todo o mundo, sendo o Canal do Panamá o mais desafiador. Diferente do Canal de Suez, que foi construído ao nível do mar através das areias de um deserto, o Canal do Panamá teria de vencer um desnível de mais de 26 metros e atravessar uma selva tropical inóspita.
A primeira tentativa para a construção desse canal teve início em 1880, e ficou a cargo do engenheiro francês Ferdinando de Lesseps, que tinha em seu currículo a façanha de ter liderado a construção do Canal de Suez. Dificuldades técnicas na construção, chuvas torrenciais, doenças tropicais que mataram milhares de trabalhadores e, especialmente, uma grande fraude financeira aplicada pela empresa construtora, levaram à paralização da obra em 1885.
Em 1904, a obra foi assumida pelo Governo dos Estados Unidos, que conclui os trabalhos em 1914. O Presidente Theodore Roosevelt entendeu que esse canal seria estratégico para seu país, que passaria a contar com uma ligação mais curta e rápida entre as costas Leste e Oeste, distância essa que era cerca de 16 mil km mais curta que a antiga através do Estreito de Drake, no extremo Sul da América do Sul.
A história fez jus aos esforços dos norte-americanos e o Canal do Panamá, que passou ao controle do Panamá em 1999, responde atualmente por cerca de 6% do comércio internacional – mais de 14 mil embarcações atravessam os 77 km de extensão do canal todos os anos.
Ironicamente, esse canal que interliga os dois maiores oceanos do mundo – o Pacífico e o Atlântico, está sendo ameaçado pela falta de água!
O Canal do Panamá utiliza água doce de rios e lagos para sua operação e, devido a redução do volume de chuvas na América Central por conta de problemas climáticos, a Autoridade do Canal do Panamá, autarquia responsável pelas operações, reduziu o calado dos navios que podem usar a via.
O calado, que é a distância vertical entre a parte inferior da quilha e a linha de flutuação de uma embarcação, que era de 43,3 pés (13,11 metros) passou para 32 pés (9,75 metros), o que restringe o tamanho e a carga das embarcações que podem cruzar o Canal do Panamá.
Muitos navios cargueiros de grande porte estão sendo obrigados descarregar parte dos seus contêineres em portos do Panamá antes de entrarem nas águas do Canal – esses contêineres são transportados por uma ferrovia até a saída do Canal. O custo do transporte pela ferrovia é compensado pela redução do custo do “pedágio” do Canal do Panamá (esse custo cresce proporcionalmente com o volume da carga das embarcações).
Essa medida foi tomada por questões de economia de água doce – a cada passagem de um navio pelo canal, devido a abertura das comportas utilizadas como “elevadores” para os navios, cerca de 200 milhões de litros de água doce são despejados nos oceanos. Dos 40 navios que cruzavam o canal diariamente em 2022, somente 32 estão passando atualmente, o que representa um prejuízo de US$ 200 milhões.
Esse problema, um tanto inusitado, é mais um que pode ser lançado na conta das mudanças climáticas globais

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