
Quem é fã de cinema deve se lembrar do filme “O dia depois de amanhã” lançado em 2004. No enredo, a Corrente do Golfo deixa de fluir para o Norte, o que causa o início de uma nova Era do Gelo ou período glacial no Hemisfério Norte. Uma das razões para a paralização da corrente marítima no filme foi o degelo acelerado na Groenlândia.
A Corrente do Golfo faz parte de um complexo sistema global de correntes marítimas e suas águas quentes tornam o clima mais ameno na Irlanda e na Grã-Bretanha. Sem as águas quentes da Corrente do Golfo, a vida de irlandeses, ingleses, escoceses e galeses seria muito mais difícil devido ao clima inóspito.
Essa corrente marítima faz parte de um sistema ainda maior conhecido na sigla em inglês AMOC – Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico. A circulação de água nessas correntes marítimas é provocada por mudanças na salinidade e na temperatura dos oceanos de todo o mundo. Esse processo de circulação é conhecido como termoalina.
Nas regiões de altas latitudes como no Norte do Oceano Atlântico, as águas superficiais são convertidas em correntes de água fria profundas que correm na direção dos trópicos. Esse movimento “cria espaço” para que as águas superficiais quentes dos tópicos sigam na direção das altas latitudes.
Falando de uma forma bastante simplificada, esse grande sistema de correntes marítimas de águas quentes e frias permite uma distribuição equilibrada da temperatura entre as regiões tropicais e polares, garantindo uma estabilidade climática em todo o planeta.
Feita essa rápida apresentação, vamos para a má notícia – um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e publicado no periódico Nature Communications, revelou que a AMOC irá parar completamente nas próximas décadas.
Essa “parada”, é claro, está ligada diretamente aos efeitos das mudanças climáticas geradas pelas agressões ambientais criadas pela humanidade. A principal delas, conforme citamos sistematicamente em nossas postagens, são as emissões de gases de efeito estufa.
O estudo dinamarquês analisou dados das temperaturas oceânicas dos últimos 150 anos, o que permitir concluir que a AMOC vai falhar entre 2025 e 2095. O ano mais provável para essa falha é 2037. A taxa de certeza desse colapso é de 95%.
As consequências dessa falha na circulação da AMOC, é claro, ficarão muito longe do grande colapso no clima mundial como foi mostrado no filme de ficção científica “O dia depois de amanhã”. Entretanto, ela terá fortes repercussões no clima regional, levando a temperaturas mais baixas.
Em tempos de fortes ondas de calor na Europa e na América do Norte, essa notícia pode até animar algumas pessoas. Porém, uma mudança nos padrões climáticos dessa ordem poderá trazer no seu bojo uma série de outros problemas. Serão necessários inúmeros outros estudos para que entendamos o que está por vir.
Aqui com os “meus botões”, suspeito que coisas não muito boas afetarão as nossas futuras gerações…
