
Na última postagem falamos das preocupações com o rápido aumento das temperaturas na Europa – estudos indicam que o continente está se aquecendo duas vezes mais rápido que a média mundial.
Um estudo publicado no último mês de maio vem de encontro a essas preocupações. Um relatório do Programa de Observação da Terra da União Europeia, o Copernicus, confirmou que a Península Ibérica registrou o quarto mês de abril mais quente da história quando comparado ao período entre 1991 e 2020.
Massas de ar quente mantiveram as temperaturas próximas dos 40º C em várias regiões em pleno início da primavera no Hemisfério Norte. É sempre importante lembrar que o auge do verão europeu ocorre entre os meses de julho e agosto.
Temperaturas muito mais quentes que a média também foram encontradas em partes da África, ao redor do Mar Cáspio e no Sudeste Asiático, além do Norte do Japão.
Na média, as temperaturas da Península Ibérica durante o mês de abril ficaram 3º C mais quentes quando comparadas às temperaturas médias observadas entre os anos de 1991 e 2020, de acordo com informações da AEMET – Agência Meteorológica Espanhola.
De acordo com os cientistas e meteorologistas, esse calor extremo na região do Mar Mediterrâneo seria praticamente impossível sem os impactos do aquecimento global. Conforme já comentamos em diversas postagens anteriores aqui do blog, as grandes emissões de gases de efeito estufa já levaram a um aumento das temperaturas globais em cerca de 1,2º C em relação aos tempos da era pré-industrial.
Ainda segundo a EMET, o último mês de abril foi o mais seco na Espanha desde que começaram a ser feitos os registros em 1961. A seca também foi forte na região do Sul dos Alpes, na costa mediterrânea da França, no Noroeste da Escandinávia, nos países bálticos e em grande parte do Oeste da Rússia.
Com a confirmação da ocorrência do fenômeno climático El Nino neste ano, os meteorologistas esperam que as temperaturas médias na Península Ibérica e em outras partes do mundo permaneçam acima dos valores “normais” ou históricos.
Os problemas com a “máquina climática global” não param por aí – Alasca, Mongólia, Península Arábica, Índia e Austrália apresentaram temperaturas mais baixas que a média durante o mesmo mês de abril. No Sudestes dos Estados Unidos, em partes da Ásia, no Noroeste da Austrália e na Tanzânia o clima ficou mais úmido no período.
Aqui no Brasil e na América do Sul também tivemos uma série de anormalidades climáticas no mesmo período – em toda a região da Pampa, bioma que se estende pelo Sul do Brasil, Uruguai e Centro-Norte da Argentina, se manteve uma forte seca. Em muitas regiões do Brasil, como no Pantanal, as chuvas caíram acima da média.
Com a chegada do El Niño, vamos testemunhar uma série de problemas climáticos em toda a nossa região, com expectativa de seca nas regiões Norte e Nordeste e chuvas acima da média na Região Sul e também na Argentina e no Uruguai.
As mudanças climáticas estão criando uma verdadeira montanha russa no clima global e todos nós vamos precisaremos nos adaptarmos ao sobe e desce das temperaturas e também às mudanças nos ciclos da chuva.
Como cantou um artista: “nada mais será como já foi um dia…”
