
No meio da tarde do dia 18 de setembro de 2019, a população da Região Metropolitana de São Paulo foi surpreendida por um “fenômeno” climático até então inédito. Por volta das 15h00, o céu da região passou a ser coberto por uma grossa camada de nuvens escuras.
Diferentemente de eventos anteriores de fortes tempestades de final de tarde, essa cobertura de nuvens provocou um efeito de escurecimento tão intenso que as luzes do sistema de iluminação pública foram acionadas e os veículos em circulação foram forçados a ligar os faróis.
A chuva que se seguiu não foi tão forte quanto se esperava, porém, a água tinha uma característica bastante peculiar – ao invés de gotas cristalinas, essa chuva era formada por uma água escura que lembrava chá mate ou um café fraco.
O ineditismo da situação pouco a pouco passou a ser explicado por um sem número de reportagens nas TVs e portais de notícias. Meteorologistas e outros especialistas explicaram que essa chuva escura foi provocada pela contaminação da água por partículas de pó, cinza e fuligem vindas de grandes incêndios florestais que naquele momento ardiam em extensas áreas da Amazônia Ocidental.
As grandes nuvens de fumaça liberadas por esses incêndios estavam sendo arrastadas na direção da Região Sudeste por fortes correntes de vento e assim contaminavam as nuvens de chuva. A precipitação da “chuva negra” foi o simples ápice de toda essa série de eventos.
Notícias tratando dessa “chuva negra” paulistana rapidamente passaram a circular por todo o mundo, desencadeamento uma reação de indignação da opinião pública mundial nunca vista até então no que diz respeito a questões ambientais. Líderes políticos, artistas e celebridades dos mais diferentes quilates passaram a tratar da tragédia ambiental em suas redes sociais.
O Presidente da França, Emmanuel Macron, foi um dos primeiros a explorar a tragédia. Publicou em suas páginas sociais fotos de grandes queimadas na Floresta Amazônica. Dias depois, todos ficamos sabendo que as fotos foram tiradas vários anos antes por um fotógrafo que, inclusive, já havia falecido.
O futebolista português Cristiano Ronaldo foi ainda mais longe – publicou fotos de uma grande queimada em uma área dos Pampas Sulinos, um bioma que fica a mais de 4 mil quilômetros da Amazônia. Também não podemos deixar de citar os discursos desconexos da garota sueca Greta Thunberg e de celebridades hollywoodianas como Leonardo di Caprio e Mark Rufalo.
A partir de então, as queimadas e a suposta “destruição” da Floresta Amazônica foram transformadas na principal causa da lacração internacional. Curiosamente, a espiral crescente que vinha marcando toda essa lacração parece ter atingido um ponto de deflexão. A causa mais provável – a eleição do novo presidente dos Estados Unidos: Donald Trump.
Carinhosamente apelidado de “laranjão”, Donald Trump sempre foi um dos maiores críticos da onda lacradora ambiental e já deixou muito claro a que veio – uma de suas primeiras medidas anunciadas é a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris, um esforço internacional para o controle das emissões dos GEEs – Gases de Efeito Estufa, os principais causadores do aquecimento global.
Ainda tem mais – Trump mandou bloquear, incialmente por 90 dias, todos os repasses do Governo Norte-americano para organizações sociais de todo o mundo, incluindo-se na lista uma enormidade de ONGs – Organizações Não Governamentais, ambientalistas. O financiamento para todas essas organizações passará por um minucioso “pente-fino” nesse período. Em outras palavras – muita gente vai ficar sem dinheiro
O Governo Trump mal completou uma semana e já conseguiu “ferir de morte” um sem número de lacradores em todo o mundo. Muita água ainda vai rolar daqui para a frente.
A imagem que melhor ilustra o que está se desenrolando, na minha modesta opinião, é a de uma coluna de militares marchando numa determinada direção, até que o sargento no comando grita a ordem: meia volta, volver!
Tudo indica que essa será uma das ordens mais repetidas pelo “sargento” Trump daqui para a frente…

[…] da “chuva negra” na Região Metropolitana de São Paulo no final de 2019, o qual relembramos na postagem anterior, provocou uma mudança progressiva no tom das críticas aos problemas ambientais vividos pela […]
CurtirCurtir