ESTUDO BRASILEIRO MOSTRA A IMPORTÂNCIA DOS MANGUEZAIS NA RETENÇÃO DO CARBONO 

Os manguezais ou mangues, como são chamados popularmente, são ecossistemas costeiros de transição entre os ambientes marinhos e terrestres. São comuns nas regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo, sendo encontrados em enseadas, barras, lagunas, foz de rios, baías e em outras formações costeiras onde as águas doces de rios e lagos se encontram com as águas marinhas, formando um ambiente de águas salobras.  

Essa característica transforma os manguezais em importantes “exportadores” de matéria orgânica, algo essencial para a produtividade das áreas costeiras. Esse ecossistema rico em alimentos abriga centenas de espécies de peixes, moluscos, crustáceos, verme, aves, mamíferos e, também, populações humanas.   

Segundo estudos científicos, cerca de 70% das espécies marinhas utilizadas para alimentação humana, onde se incluem peixes, siris, camarões, lagostins, caranguejos, entre outras espécies, dependem das áreas de mangue para a sua reprodução.  

Um exemplo são os alevinos de diversas espécies de peixes, que passam a fase inicial de suas vidas abrigados entre as raízes do mangue, só migrando para as águas abertas dos oceanos após atingirem um tamanho maior e mais adequado para fugir dos predadores. Em regiões onde as áreas de mangues foram destruídas ou ocupadas, a produtividade pesqueira é cada vez menor. 

Esses biomas lamacentos e cobertos com uma vegetação intrincada não podem ser incluídos na lista dos ambientes naturais mais bonitos. Entretanto, pesquisadores da UERJ –Universidade do Estado do Rio de Janeiro, concluíram que os manguezais têm uma importância ímpar na retenção do carbono. 

Esse estudo consolidou dados levantados em uma investigação anterior feita pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que mostrou que os manguezais capturam 57% mais carbono que outras vegetações de regiões tropicais. 

Existem cerca de 10 mil km² de manguezais em todo o Brasil, áreas que sofrem bastante pressão devido ao crescimento da mancha urbana de cidades costeiras e avanços de atividades econômicas como a agricultura e, principalmente, a criação de espécies marinhas como camarões em cativeiro – carcinicultura marinha. 

Em cidades da Baixada Santista, no litoral do Estado de São Paulo, esse tipo de agressão é bem fácil de se ver. Em cidades como São Vicente e Santos, grandes extensões de manguezais são aterradas para a ocupação habitacional. Entre os anos de 2007 e 2009, citando um exemplo, eu trabalhei em obras de implantação de redes de esgoto nessa região e lembro que tínhamos muito trabalho para cortar as raízes de mangues enterradas sob o pavimento das ruas.  

Em tempos de aquecimento global e de grandes preocupações com as emissões de carbono e de gases de efeito estufa, proteger e recuperar áreas de manguezais pode ser uma importante ferramenta de gestão ambiental. 

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