FALANDO DE UM TAL DE CARBONO

Todos os combustíveis fósseis têm uma característica comum – sua composição é rica em hidrocarbonetos, um elemento formado pela combinação de átomos de carbono e de hidrogênio. São esses elementos que garantem uma alta concentração de energia, energia essa que é liberada pela queima dos combustíveis fósseis. 

Para entendermos como foi o processo de formação do petróleo e do carvão mineral, os dois principais combustíveis fósseis (lembro aqui que o petróleo passa por um processo de partição nas refinarias e gera diferentes derivados como a gasolina, o óleo diesel e a querosene, entre muitos outros), precisamos falar um pouco sobre o carbono e seu ciclo biológico. 

O carbono é classificado como o 15º elemento químico mais abundante no planeta Terra e o 4º elemento mais abundante do universo, só ficando atrás do hidrogênio, do hélio e do oxigênio. Ele é um elemento fundamental para a formação de células vivas e está presente em todas as formas de vida. Para que todos tenham uma ideia da importância desse elemento – cerca de 18,5% da nossa massa corporal é formada por carbono.  

Logo, não é de se estranhar que o petróleo foi formado há milhões de anos atrás a partir do acúmulo de restos de matéria orgânica – animal e vegetal, em bacias sedimentares. Essa massa orgânica foi encoberta por diferentes processos geológicos e, com a combinação de pressão e temperatura se transformou no petróleo que conhecemos hoje. 

Esse carbono passa a fazer parte dos organismos vivos através de um processo conhecido como ciclo biológico do carbono. Esse ciclo começa com a absorção do carbono presente na atmosfera na forma de gás – o dióxido de carbono (CO2). Esse carbono é fixado na matéria viva das plantas através da fotossíntese. 

Uma área de floresta com 1 hectare, o equivalente a 10 mil m2, absorve cerca de 3,1 toneladas de carbono da atmosfera a cada ano. Durante o processo da fotosíntese, as plantas retêm as moléculas de carbono e liberam o oxigênio na atmosfera. Uma árvore adulta de médio porte, citando um exemplo, libera um volume de 120 kg de oxigênio a cada ano, o que nos dá uma ideia da importância de manter as florestas em pé. 

Nas plantas, o carbono passa a fazer parte das células das folhas, dos frutos e da estrutura da planta – galhos, troncos e raízes. Animais herbívoros se alimentam dessas partes da planta e abosrvem o carbono – predados por animais carnívoros, esse carbono passa a fazer parte do corpo do animal predador. 

O ciclo biológico do carbono se encerra com a morte das plantas e dos animais, momento em que o elemento volta para o meio ambiente e reinicia seu ciclo. De uma forma bastante resumida, essa é a “vida e a obra do carbono”. 

Como fica bem fácil de observar, uma floresta é, basicamente, um grande reservatório de carbono, especialmente quando observamos os troncos das grandes árvores – são toneladas de carbono armazenados no tronco de cada uma das árvores. 

No processo de formação do carvão vegetal, que tratamos em uma postagem anterior, grandes extensões de florestas foram soterradas num passado remoto e seus troncos passaram por transformações químicas, acumulando mais carbono e nitrogênio. 

Para especularmos sobre as formas como isso aconteceu, vamos imaginar que um grande terremoto atingiu uma extensa área de floresta e derrubou milhares de árvore num passado bastante remoto. Os troncos caídos no chão da floresta foram gradualmente sendo soterrados por sedimentos arrastados por sucessivas enchentes. 

Novas árvores nasceram nessa floresta com o passar dos séculos e diferentes eventos como outros terremotos, vendavais, temporais ou mesmo incêndios florestais se encarregaram de derrubar mais árvores, cujos troncos também foram soterrados por sucessivas enchentes. 

Passados dezenas e mais dezenas de milhões de anos, toda essa grande massa de matéria vegetal soterrada se transformou em uma grande jazida de carvão mineral. O grande reservatório de carbono que estava armazenado nas árvores agora se apresenta na forma de carvão. 

Com o petróleo a história não é muito diferente – restos de plantas e de animais mortos foram arrastados pelas chuvas para bacias sedimentares, onde foram encobertos por sedimentos. Esse é um processo que foi sendo repetido inúmeras vezes com o passar dos séculos e resultou na formação de jazidas com um óleo denso e rico em hidrocarbonetos. 

E o que acontece quando queimamos carvão mineral ou petróleo e seus derivados? 

Todo esse carbono acumulado ao longo de dezenas de milhões de anos acaba sendo liberado na atmosfera na forma de dióxido de carbono. Aqui existe um agravante – como a humanidade vem devastando as florestas ao longo da história, existem cada vez menos árvores para absorver esse carbono e os seus níveis na atmosfera não param de crescer. 

Uma das consequências disso é o aumento do efeito estufa, um mecanismo natural da atmosfera que permite a retenção de uma parte do calor gerado pelo sol. Esse calor retido vem mantendo as temperaturas do planeta confortáveis, evitando grandes variações entre o dia e a noite e mantendo as temperaturas em níveis adequados a existência da vida há milhões de anos. 

Um exemplo bastante didático – a lua, o satélite natural de nosso planeta não possui uma atmosfera e, consequentemente, não possui o efeito estufa. Durante o dia, a maior parte da superfície da lua apresenta temperaturas que chegam aos 214° C – durante a noite, as temperaturas caem a valores de até -96° C.

O aumento da concentração de gases de efeito estufa, como o carbono, na atmosfera da Terra está provocando uma elevação das temperaturas globais. Desde o início da Revolução Industrial em meados do século XVIII, as temperaturas médias de nosso planeta subiram cerca de 1,1° C e continuam aumentando.

Moral da história – é esse “tal” de carbono presente nos combustíveis de origem fóssil que é um dos grandes vilões da crise climática global vivida pelo nosso planeta. É por isso que está acontecendo uma verdadeira corrida entre a maioria dos países na busca de fontes energéticas sustentáveis e livres de carbono. 

De uma forma bastante simplificada tentamos mostrar o quão danosos são os combustíveis fósseis, que muita gente ainda imagina que são combustíveis sustentáveis.

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