OS GRANDES PROBLEMAS AMBIENTAIS CRIADOS PELA EXPLORAÇÃO E TRANSPORTE DO PETRÓLEO 

O petróleo é um óleo denso e extremamente rico em hidrocarbonetos, substâncias formadas por átomos de carbono e hidrogênio, contendo em menores quantidades oxigênio, nitrogênio, sais e metais. É um elemento que foi formado ao longo de dezenas de milhões de anos a partir de restos fósseis de plantas e animais soterrados por diferentes processos geológicos. 

O petróleo é, indubitavelmente, uma das fontes de energia mais importantes da humanidade. Gasolina, óleo diesel, querosene de aviação e óleo combustível movimentam carros, motocicletas, caminhões, aviões, navios, geradores de usinas termelétricas, entre muitos outros equipamentos.  

Subprodutos do refino ou partição do petróleo também estão por todos os lados na forma de plásticos, fios sintéticos de roupas, produtos de limpeza, fertilizantes, defensivos agrícolas, inseticidas caseiros, materiais de construção civil, borrachas e pneus e até mesmo em produtos usados na alimentação humana.  

Mas, se os combustíveis e demais derivados de petróleo são tão importantes para o nosso dia a dia, eles também estão entre as maiores fontes de poluição do planeta: todos os dias, milhões de toneladas de gases liberados pela queima de combustíveis fósseis gerados a partir do petróleo são lançados na atmosfera, causando toda uma série de problemas que vão de doenças respiratórias à mudanças no padrão climático do planeta.  

Além da poluição atmosférica, o petróleo também se faz presente na forma de resíduos como os plásticos dos mais diferentes tipos, que entulham aterros sanitários, rios e mares, em quantidades cada vez maiores. Esse é um tema sobre o qual já falamos em inúmeras postagens aqui do blog

Os problemas da indústria do petróleo começam já na fase de prospecção e perfuração dos poços, quando os mais diferentes tipos de ecossistemas, que vão das areias dos desertos à tundra do Ártico, das florestas tropicais ao fundo do oceano, passam a ficar expostos a vazamentos acidentais de óleo.  

Esses problemas aumentam durante as fases de transporte, quando grandes volumes de óleo cru são levados para as refinarias localizadas nos mais diferentes pontos do planeta. Grandes volumes de óleo são bombeados sob pressão em oleodutos com centenas de quilômetros de extensão, ou ainda armazenados em tanques de navios petroleiros cada vez maiores: basta uma falha na solda de uma tubulação ou um erro nos procedimentos de operação de um navio para que milhares de toneladas de óleo vazem e poluam grande áreas e/ou superfícies de águas.  

O processamento e o refino do petróleo também são problemáticos: grandes volumes de combustíveis precisam ser queimados para gerar a energia necessária aos diferentes processos de refino, liberando grandes quantidades de gases poluentes na atmosfera. Essas plantas industriais também são problemáticas quando se fala em segurança – são gigantescos volumes de líquidos e gases inflamáveis de todos os tipos que, a qualquer falha, podem criar explosões e incêndios catastróficos.   

Um caso dramático e ainda vivo na memória de muita gente foi o incêndio na Vila Socó, em Cubatão, no início de 1984 – mais de 700 mil litros de gasolina vazaram de um duto da Refinaria Arthur Bernardes da Petrobrás, provocando um trágico incêndio numa grande comunidade que ocupou o terreno por onde passavam as tubulações da empresa. De acordo com dados da época, devidamente censurados pelos Governantes Militares que mandavam no país, foram 93 mortos na tragédia. Reaberto em 2014, o caso agora trata do desparecimento de mais de 500 pessoas da comunidade nesse acidente.  

Além dos acidentes nas operações de processamento e refino do petróleo, as instalações das refinarias podem ser tomadas como alvo em conflitos militares e em ataques terroristas. Em setembro de 2019, um ataque terrorista ao complexo petrolífero de Abqaiq, na Arábia Saudita, provocou uma redução de 5% na produção mundial de petróleo e um aumento de 20% no preço do produto.  

Considerada a maior instalação do tipo no mundo, Abqaiq foi atingida por um grande ataque de mísseis e drones, o que destruiu parte das suas instalações e levou a uma paralização total de suas atividades. A tensão geopolítica da região, onde ficam alguns dos mais importantes centros de produção e exportação de petróleo, subiu a níveis muito mais altos que o normal.  

Aqui na América do Sul, a disputa pelo petróleo também é um grande causador de problemas. No início de 1995, o Peru e o Equador entraram em guerra por causa da disputa pelo controle da Região de El Condor, famosa por suas grandes reservas de petróleo. A nossa problemática vizinha Venezuela é outra espécie de “refém” da exploração do óleo. Dona das maiores reservas petrolíferas confirmadas do mundo, a Venezuela construiu toda a sua economia com base na exploração, produção e exportações da indústria petrolífera.   

Durante várias décadas, o país foi um exemplo de riqueza e alto padrão de vida para os seus pobres vizinhos sul-americanos. Com a ascensão do Bolivarianismo ao poder, uma espécie de socialismo latino-americano piorado, na década de 1990, o país começou a retroceder econômica e socialmente ao estilo “ladeira abaixo”.  

A incompetência generalizada na gestão das atividades petrolíferas do país, associadas à corrupção e aos desmandos de uma ditadura “eleita democraticamente”, levaram ao desmantelamento e sucateamento das atividades petrolíferas na Venezuela. Em outubro de 2019, manchas de óleo passaram a ser encontradas em praias de todo o Nordeste (vide foto)– testes de laboratório identificaram que esse óleo era de origem venezuelana.  

Sofrendo com um forte embargo econômico imposto pelos Estados Unidos por causa do processo eleitoral considerado fraudulento e da intensa repressão aos opositores do regime, a Venezuela tem se valido de inúmeros descaminhos para vender seu petróleo no “mercado negro”. De acordo com as últimas descobertas feitas pelos investigadores brasileiros, a origem do derramamento de óleo foi um navio petroleiro de bandeira grega, que foi abastecido com uma grande quantidade de petróleo ilegal na Venezuela e que, supostamente, estava se dirigindo para o extremo oriente.  

Ao que tudo indica, esse navio fez o transbordo do petróleo para outro navio em alto mar (o que é chamado nos meios navais de operações ship-to-ship), quando houve uma falha na operação e um grande volume de óleo foi lançado nas águas. Imagens recuperadas de satélites do final de julho mostram uma grande mancha de petróleo com cerca de 200 km de extensão sobre o Oceano Atlântico, a uma distância de 700 km da costa do Nordeste. As correntes marítimas que correm em direção ao litoral brasileiro se encarregaram de espalhar todo esse óleo ao longo de 2 mil km do nosso litoral.  

Foram essas imagens que permitiram às autoridades brasileiras identificar o navio responsável pelo acidente. Até o final do mês de outubro daquele, haviam sido identificadas manchas de petróleo em 94 municípios, afetando um total de 264 localidades. Passados mais de três anos desde a descoberta das primeiras manchas de óleo, ninguém ainda foi formalmente acusado e processado na justiça. 

Continuaremos na próxima postagem. 

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