PISCINÃO: UM EFICIENTE SISTEMA PARA O CONTROLE DAS ÁGUAS PLUVIAIS

pacaembu

A Praça Charles Miller, em São Paulo, é um dos endereços mais famosos da cidade – é aqui que fica o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido como Estádio do Pacaembu; mais recentemente, o Estádio passou a abrigar o Museu do Futebol, o que deu visibilidade internacional e transformou o endereço em um destino turístico da cidade. A Praça também ganhou fama por outro motivo nem um pouco glamouroso: o local era um dos pontos de enchentes mais temidos da cidade.

O atual bairro do Pacaembu nasceu em 1925, quando a Cia. City, empresa inglesa de arquitetura iniciou o loteamento e a urbanização da região. Uma das primeiras ações da empresa foram os trabalhos de drenagem e aterro de grandes áreas, que culminaram com a canalização do ribeirão Pacaembu e a construção da avenida homônima, até hoje a principal  via do bairro. Foi a Cia. City quem doou em 1935 para a Prefeitura de São Paulo o terreno de 75 mil m² onde seria construído o famoso Estádio do Pacaembu, inaugurado em 1940. Além da criação de um dos bairros mais charmosos da cidade, as ações da City, involuntariamente, acabaram por consolidar todo um ambiente favorável à formação de fortes enxurradas em dias de chuva, com a formação de enchentes violentas na parte baixa do bairro onde fica a Praça Charles Miller.

O famoso “endereço” das enchentes criou transtornos no bairro por várias décadas até que, em 1993, as autoridades da Prefeitura e do Governo do Estado juntaram forças e iniciaram as obras de um gigantesco reservatório subterrâneo com capacidade para armazenar 75 milhões de litros de água das chuvas. Projeto pioneiro na cidade, o conhecido Piscinão do Pacaembu foi inaugurado em 1995 e se transformou rapidamente numa referência no combate de enchentes localizadas; dezenas de outros piscinões foram construídos ao longo dos anos em outras regiões da cidade, auxiliando imensamente no controle de pontos de inundações.

O grande desafio para a construção do Piscinão do Pacaembu não foi exatamente na área de engenharia, mas na área da burocracia – tanto o Estádio do Pacaembu quanto a Praça Charles eram construções tombadas pelo Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural da cidade e, por este motivo, não poderiam sofrer qualquer tipo de intervenção. Foram necessárias incontáveis reuniões e acordos entre todas as partes envolvidas no processo para que se autorizasse o início das obras; todo esforço acabou valendo a pena!

Como venho comentando há alguns posts, o crescimento das cidades e a constante impermeabilização dos solos urbanos com concreto, asfalto e edificações de todo o tipo, estão criando cada vez mais as condições para a formação de grandes pontos de alagamentos nas cidades, com riscos tanto materiais quanto para a segurança dos moradores. Cada vez mais serão necessários estudos e projetos urbanos que visem a criação de pontos de retenção e acúmulo temporário de águas pluviais, evitando assim a formação das enchentes nos pontos mais baixos.

Piscinões subterrâneos como o que foi construído sob a Praça Charles Miller são exemplos práticos de como resolver os problemas extremos provocados pelas enchentes nas cidades – na falta de áreas livres para a construção dos dispositivos em meio ao disputado espaço nos centros urbanos, o subsolo de praças e avenidas pode ser utilizado para as construções, reconstruindo-se posteriormente os espaços, que voltarão rapidamente para o uso pela população da cidade.

À Charles Miller é atribuída a introdução do futebol no Brasil – batizar a praça onde fica o estádio de futebol mais tradicional da cidade com seu nome é uma justa homenagem; já a construção do Piscinão do Pacaembu, essa pode ser chamada de um verdadeiro “gol de placa”. Que venham muitos outros…

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