OS EMBATES ENTRE AS ÁGUAS PLUVIAIS E OS RESÍDUOS SÓLIDOS

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Os serviços que compõem o Saneamento Básico incluem o abastecimento de água potável, a coleta e o tratamento dos esgotos, os sistemas de drenagem de águas pluviais e o gerenciamento dos resíduos sólidos, onde se incluem os serviços de varrição e limpeza das ruas de uma cidade, a coleta e a destinação dos resíduos sólidos domésticos, industriais, hospitalares, da construção civil entre outros; o equilíbrio na oferta destes serviços permitirá o controle dos vetores que tem potencial para transmitir diversos tipos de enfermidades (ratos, baratas, mosquitos, pulgas, carrapatos etc). De todos esses serviços, dois destacam-se pelo conflito: os sistemas de águas pluviais e os resíduos sólidos.

Os sistemas de drenagem de águas pluviais, que detalharemos em futuros posts, incluem todos os dispositivos e estruturas instaladas em uma rua, bairro ou cidade que tem a função de captar e dar vazão rápida para as águas das chuvas, evitando que essas acumulem e provoquem danos à uma comunidade; estes dispositivos são projetados para tolerar pequenas quantidades de resíduos sólidos, que inevitavelmente serão arrastados pelas chuvas: areia, pedriscos, folhas, galhos, resíduos de pneus e lixo. Se ultrapassados os limites nas quantidades destes resíduos sólidos, a eficiência no funcionamento na drenagem das águas pluviais fica comprometida e acontece o que se tenta evitar: as enchentes localizadas.

Um exemplo desse conflito acontece nas chamadas bocas de lobo – esses dispositivos são instalados ao longo das sarjetas, com a função de direcionar o fluxo das águas pluviais na direção das tubulações subterrâneas do sistema, que seguem na direção dos canais de drenagem (rios, córregos, piscinões etc). Esses dispositivos são dotados de uma caixa de retenção, onde os materiais particulados e os resíduos sólidos ficam retidos. Essas caixas de retenção devem receber uma atenção especial dos responsáveis pelos serviços de zeladoria da cidade – é necessária a execução de limpeza periódica, esvaziando-se essas caixas, obrigatoriamente nas épocas de seca; com a chegada dos períodos chuvosos, as bocas de lobo devem estar preparadas para realizar a sua função.

Outro grande problema, esse muito frequente, são os sacos de lixo não recolhidos pelos serviços de limpeza urbana que, durante as chuvas mais fortes, são arrastados pela enxurrada e bloqueiam os drenos de águas pluviais, especialmente as grelhas e as bocas de lobo, provocando rapidamente pontos de inundação. Nesse tópico podemos incluir os resíduos da construção civil, que figuram entre os campeões no descarte irregular das cidades. Pedaços de madeira e resíduos de demolição podem ser arrastados para o leito das ruas em eventos de chuva forte, sendo transformados em verdadeiras armadilhas para os veículos e oferendo sérios riscos à segurança dos passageiros e condutores.

Um problema menos visível é o assoreamento das tubulações e canais de drenagem, que acumulam sistematicamente camadas de areia e argila no fundo, implicando numa redução gradativa da capacidade de drenagem dos grandes volumes de águas pluviais. Autoridades responsáveis devem manter um calendário de manutenção desses sistemas, realizando trabalhos sistemáticos de limpeza e dragagem. Muitas vezes uma fina lâmina de água corrente pode até dar a impressão de uma grande profundidade num curso de água, quando na realidade essa profundidade é de alguns poucos centímetros. Em momentos de forte chuva, quando nenhum de nós tem o controle do volume de água que atinge o solo, é preciso ter certeza que os sistemas de drenagem tenham capacidade para absorver e dar vazão rápida para as águas pluviais. Não havendo cuidados com a limpeza e a manutenção dos sistemas de drenagem, o resultado poderá se apresentar em grandes inundações, com prejuízos materiais e algumas vezes até com vítimas fatais, além de graves riscos de proliferação de doenças de veiculação hídrica com a leptospirose, hepatite, cólera, giardíase entre outras.

Relembrando: todas essas preocupações devem ser preventivas, ou seja, deve-se pensar e agir nos períodos de seca. Quando as chuvas chegam, muito pouco poderá ser feito adequadamente.

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